José Saramago eleito Sócio Correspondente da Academia Brasileira de Letras
A Academia Brasileira de Letras, na sessão de 9 de julho, acaba de eleger o escritor português José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura de 1988, seu novo Sócio Correspondente, na vaga do escritor francês Maurice Druon, decano da Academia Francesa, falecido em abril de 2009.
Las reformas en la Casa dos Bicos avanzan

A fachada da Casa dos Bicos já foi remodelada: não se lhe tiraram anos, é a linda senhora que sempre foi, retiraram-se-lhe simplesmente algumas manchas que não a faziam mais bela. E que lhe apagavam o brilho que é seu. O brilho que também as pedras, como os humanos, podem ter do primeiro ao último dia, bastando que se cuide do espírito.
Os arquitectos Manuel Vicente e Santa Rita, com Jorge Ramos de Carvalho e Francisco Veiga, mostraram a José Saramago e a outros amigos da Fundação os avanços na obra. Primeiro mostraram a maqueta, antecipando o que será a casa quando cada coisa estiver em seu lugar.
As obras avançam, mas estão naquele ponto em que parece não se ver os resultados. Trabalhar nas estruturas tem destas situações. Mas logo, de um dia para o outro, o edifício estará levantado. Parece milagre mas é trabalho. É vontade humana.

A Casa dos Bicos tem cinco andares, embora a fachada exterior engane e diga que são quatro:
O primeiro será o Centro de Interpretação de Dados Arqueológicos de Lisboa: a partir da Casa dos Bicos, onde se poderão contemplar – e desfrutar de – vestígios romanos, árabes, medievais, Fernandinos, arrancará um circuito documentado que nos conduzirá à Lisboa antiga, pela primeira cidade de que temos registos materiais, do Tejo até ao Castelo e arredores.

O segundo andar, o primeiro que se vê a partir da rua, será uma Sala de Exposições: artistas relacionadas com a Literatura, com a Cultura em maiúscula, e com os Direitos Humanos, razões de ser da Fundação José Saramago exporão os seus trabalhos. Mostrarão a consistência dos seus sonhos, os sonhos que nos distinguem e dão personalidade ao nosso tempo.

No terceiro andar estarão os serviços da Fundação. A primeira janela à esquerda será o gabinete de José Saramago. Da sua mesa verá o Tejo e o Campo das Cebolas, que então não será um parque de estacionamento. E verá as pessoas que passam, que são a matéria dos seus livros.

O quarto e último andar que se vê do exterior será a Biblioteca, um lugar aberto para ler não só os livros de Saramago mas também os livros que fizeram de Saramago o escritor e a pessoa que é. Os grandes livros da literatura universal: começando, claro, pela portuguesa.

O último andar receberá o auditório. Ali se farão leituras, se apresentarão livros, se projectarão filmes não comerciais, se discutirá política e o estado da democracia no mundo. Ouviremos expressões noutros idiomas, músicas diversas, opiniões divergentes. Será um lugar aberto para a necessária confrontação intelectual. Para evitar o encefalograma plano que alguns pretendem, a Fundação José Saramago dará a sua modesta, ainda que ambiciosa, contribuição. O auditório será um lugar vivo no centro da cidade. Haverá, sem dúvida, actos que requerem espaços maiores, mas esse assunto está resolvido com os convénios estabelecidos com outras instituições portuguesas.

Jornal de Letras toma el testigo a la Fundación José Saramago – Miguéis evocado
Después de Jorge de Sena, la Fundación José Saramago dedicó a José Rodrigues Miguéis su segunda sesión pública, estudiando y evocando al gran escritor del que nuestro Nobel de Literatura fue, además, editor y amigo. La sesión, en la Casa do Alentejo, completamente llena de público interesado, fue un éxito del que aquí da noticia quien, también muy vinculado a la obra de Miguéis, participó en su organización e intervino en dicho acontecimiento. Así mismo publicamos dos muy interesantes cartas inéditas, de Saramago (para Miguéis) y de Miguéis (para Saramago), presentadas por quien está trabajando en la organización de la correspondencia entre los dos, y un texto sobre aspectos desconocidos de la presencia y colaboración de Miguéis en el Diário de Notícias, de New Bedford.
Onésimo Teotónio de Almeida
«Ao olhar sem fim o sucessivo» – Homenagem a Sophia
“Si yo hubiera sido miembro de la Academia Sueca, habría votado para el Premio Nobel a Sophia en vez de a Saramago” ha dicho no una ni dos veces José Saramago, admirador de Sophia de Mello Breyner de la que también escribió un día que había alcanzado como poeta la perfección y la belleza de la línea pura.
Hace cinco años que Sophia murió, pero nadie lo diría: Sophia ha roto esa especie de maldición que cae sobre los escritores cuando mueren y que los condena, aunque sea temporalmente, a un cierto y espeso silencio. No es el caso de la poeta que del mar hizo más belleza, de la luz palabras, de la memoria actualidad permanentemente vivida. Sophia acompaña a los lectores y ella, hoy como hace cinco años, como tanto tiempo antes, es materia de conversación entre amigos, está siempre por ahí, su figura, el azul de sus ojos, su contundencia, que era mucha, pese a ser tan menuda de tamaño, acompaña cuando el sol está de punta o cuando cae la tarde y contempla Lisboa desde el Mirador da Graça y nos enseña a ver y a amar de esa forma personal que tienen los poetas.
Desde ayer Sophia está en el Mirador da Graça. Sus amigos la acompañaron en este viaje. Que nos cuenta José Mario Silva en su blog Bibliotecario de Babel y que reproducimos a continuación porque él supo captar la belleza de ese momento.
«Um miradouro para Sophia»
Ao fim da manhã, algumas dezenas de pessoas assistiram, no adro da igreja da Graça, à cerimónia de atribuição do nome de Sophia de Mello Breyner Andresen a um dos mais belos miradouros da cidade de Lisboa, no dia em que passam cinco anos sobre a morte da maior poeta portuguesa do século XX.



Antes do discurso protocolar de António Costa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, José Sá Fernandes (vereador do Ambiente e Espaços Públicos) e Manuela Júdice (vereadora sem pelouro), descerraram uma placa com o poema Lisboa, parte de um projecto arquitectónico assinado por Gonçalo Ribeiro Telles (que já desenhara o jardim da casa de Sophia, na Travessa das Mónicas):


LISBOA
Digo:
«Lisboa»
Quando atravesso – vinda do sul – o rio
E a cidade a que chego abre-se como se do seu nome nascesse
Abre-se e ergue-se em sua extensão nocturna
Em seu longo luzir de azul e rio
Em seu corpo amontoado de colinas –
Vejo-a melhor porque a digo
Tudo se mostra melhor porque digo
Tudo mostra melhor o seu estar e a sua carência
Porque digo
Lisboa com seu nome de ser e de não-ser
Com seus meandros de espanto insónia e lata
E seu secreto rebrilhar de coisa de teatro
Seu conivente sorrir de intriga e máscara
Enquanto o largo mar a Ocidente se dilata
Lisboa oscilando como uma grande barca
Lisboa cruelmente construída ao longo da sua própria ausência
Digo o nome da cidade
– Digo para ver
A homenagem prosseguiu com a leitura do poema por um dos filhos de Sophia, Miguel Sousa Tavares:

Falou depois uma das filhas:

Também poeta, Maria Andresen explicou como foram feitos os primeiros contactos com Manuela Júdice, antiga directora da Casa Fernando Pessoa. «Explicámos-lhe que tínhamos pena de não haver em Lisboa um único lugar a que estivesse associado o nome da nossa mãe. Começámos por sugerir o jardim da Graça, de cuja forma em hélice ela gostava muito, mas afinal já tinha nome [Augusto Gil].» A escolha acabou por recair no miradouro, que pertence à câmara, estava sem designação e abre para um panorama da cidade que Sophia também contemplava com prazer. Referindo-se à hora a que a cerimónia começou, poucos minutos para lá do meio-dia, Maria Andresen recordou ainda uma frase da mãe: «Certa vez, eu disse-lhe que preferia a luz do nascer do dia à do crepúsculo e ela respondeu: “Eu gosto é do sol a pino”».

Assistiram à homenagem vários amigos da família, escritores e editores, entre os quais Manuel Alegre, António Osório, Pilar del Río, Teresa Belo, Zeferino Coelho, Lídia Jorge, Inês Pedrosa, Jerónimo Pizarro, Maria Teresa Horta e um grupo de senhoras octogenárias, que ao deixar o miradouro se queixavam: «Só é pena que o senhor presidente, no seu discurso, se tenha esquecido de nos agradecer, a nós, vizinhas da Dona Sophia, que aqui viemos para a lembrar.»
Foi ainda inaugurado um busto de António Duarte, réplica de um original em bronze, esculpido nos anos 50:


O rosto de Sophia olha de frente para a cidade «oscilando como uma grande barca», para o castelo, para o «corpo amontoado de colinas», para o rio ao fundo. E o que vê é isto:

No dia 15 vamos ouvir Rodrigues Miguéis
Na Casa do Alentejo, no dia 15, temos um encontro. Alguns dos máximos especialistas em Rodrigues Miguéis virão até Lisboa para explicar-nos porque é necessário continuar a ler o autor de Léah, que valores literários transporta e que aspectos da sua vida devemos ter presentes como sociedade e como leitores.
Rodrigues Miguéis teve que sair de Portugal para ganhar a vida, primeiro para a Bélgica e depois para os Estados Unidos. No entanto, a ausência física não implicou que se desligasse da sua cultura, até ao ponto de poder dizer-se que é um dos autores que melhor soube compreender Lisboa. Nos seus contos e romances como “ A Escola do Paraíso” soube penetrar, com uma linguagem perfeita, na alma da cidade e na sua humanidade.
A Fundação José Saramago convida a celebrar Rodrigues Miguéis que é, sem dúvida, um dos grandes escritores do século XX em Portugal. Não podemos permitir-nos acumular nomes nos livros de História da Literatura, temos que tirar das estantes obras como “Uma aventura inquietante”, “O milagre segundo Salomé”, “Páscoa Feliz”, “Saudades para a dona Genciana”, reler, ler, quem não tenha lido, abrir uma página, sentir a mão de quem escreveu tão próximo da nossa sensibilidade para que definitivamente possamos afirmar que o autor é eterno porque faz pensar e sentir em todos os tempos.
Com os professores David Brookshaw, Duarte Barcelos, José Albino Pereira, Teresa Martins Marques e Onésimo Teotónio de Almeida vamos aproximar-nos de Rodrigues Miguéis e vamos ganhar como leitores e como pessoas.
O encontro: no dia 15, pelas 18.30 Horas, na Casa do Alentejo. Com Rodrigues Miguéis como anfitrião e José Saramago como testemunha.
“El viaje del elefante” en Holanda
“De tocht van de olifant”, bajo este título sale la edición holandesa del “Viaje del elefante”, editada por J.M. Meulenhoff está disponible de hoy mismo en las librerías de Holanda.

Marcos Ana em Lisboa
Os prémios Nobel José Saramago e Wole Soyinka, os escritores Luis García Montero e Almudena Grandes, o músico Miguel Ríos ou a Fundação César Manrique são algumas das pessoas e instituições que já manifestaram o seu apoio à candidatura de Fernando Macarro Castillo, mais conhecido como Marcos Ana, para o Prémio Príncipe de Astúrias da Concórdia, que no passado mês de Janeiro foi aprovado pelo Conselho de Governo da Universidade de Granada (UGR).
Por estes dias está a ser promovida a candidatura, cujo prazo de apresentação termina no próximo dia 14 de Julho. Amanhã mesmo estará em funcionamento a página www.unpremioparamarcosana.org, na qual todos aqueles que considerem Marcos Ana merecedor do mencionado galardão poderão colocar a sua assinatura. A ideia da candidatura surgiu da cátedra José Saramago da UGR, dirigida por Alberto Matarán, aquando da apresentação em Granada de ‘Decidme cómo es un árbol. Memoria de la prisión y la vida’, o livro autobiográfico do poeta salmantino Marcos Ana.
O próprio candidato manifestou ontem ao IDEAL, antes de iniciar uma viagem a Lisboa, onde amanhã, dia 28 de Maio, se apresentará a edição portuguesa do seu livro no Instituto Cervantes, a cargo do também poeta Manuel Alegre e um dos fundadores do Partido Socialista luso, que «a minha nomeação supõe uma grande satisfação que agradeço aos companheiros que me propuseram, mas que se por fim me fosse concedido, não o tomaria como um reconhecimento pessoal mas sim colectivo, que deveria ser também institucional, para os milhares de pessoas que perderam a sua liberdade e inclusivamente a sua vida para conseguir a democracia».
Símbolo antifascista
Marcos Ana (Salamanca, 1920) foi o homem que mais anos (23) passou nos cárceres franquistas e um dos símbolos da cultura antifascista, para além de ter sido condenado à morte e «torturado».
«Se Ingrid Betancourt, a premiada do ano passado, esteve seis anos sequestrada pela guerrilha colombiana, Marcos Ana esteve encarcerado 23, pelo que a sua figura merece esta distinção, já que sempre defendeu a reconciliação», declarou ao IDEAL Lola Ruiz, porta-voz da IU no Ayuntamiento da capital.
Afirmação subscrita por Alberto Matarán, que na próxima segunda-feira apresentará a página web de apoio à candidatura. «Agora estamos no processo de recolher adesões após haver difundido a candidatura, não apenas em Espanha mas por todo o mundo, de um homem que simboliza o rosto do sofrimento e a reconciliação», afirma.
Para além disso, como assinala Miguel Gómez Oliver, vice-reitor da Extensão Universitária de Cooperação para o Desenvolvimento, o próprio reitor da UGR, Francisco González Lodeiro, convidou os seus colegas no Conselho Andaluz de Universidades a subscrever a candidatura «nos seus respectivos conselhos de governo, pelo que estamos esperando o seu apoio. Também -acrescentou- nos dirigimos ao Ayuntamiento de Granada e fá-lo-emos com outros da província e do país para que subscrevam moções de apoio nos seus respectivos plenários municipais».
Precisamente, o plenário da Assembleia provincial, reunido ontem, aprovou a adesão à candidatura proposta pela UGR.
Fuente: Fernando Velasco. www.elideal.es | GRANADA
Câmara Municipal de Almada inaugura a Biblioteca Municipal José Saramago
O edifício da nova biblioteca representa um marco na arquitectura do concelho, estando integrado no conjunto mais vasto que compõe o Centro Cívico do Feijó. A autoria é do arquitecto João Lucas, técnico da Câmara Municipal de Almada.
Informação completa no site da Câmara Municipal de Almada




Roteiro “Levantado do Chão”
“O que mais há na terra é paisagem”, diz José Saramago a abrir “Levantado do Chão”. Paisagem, gentes e os caminhos que as pessoas, sejam reais sejam literárias construíram para tornar mais humanas as suas vidas.
Para mostrar estes itinerários, a Fundação inicia uma série de roteiros, que se poderão seguir quer de maneira virtual quer no terreno. Repetir os passos das personagens de “Levantado do Chão” é outra forma de percorrer Portugal. Este é o primeiro trabalho que apresentamos: uma viagem pelo Alentejo e por outros lugares de Portugal onde também homens e mulheres anónimos, com as suas vidas, os seus trabalhos e as suas rebeldias introduziram conceitos de emancipação e liberdade.
Com este roteiro incia-se um ciclo que terá continução em “História do Cerco de Lisboa” e “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, com o título “A Lisboa de Saramago”.
Fundação José Saramago declarada Pessoa Colectiva de Utilidade Pública
A Fundação José Saramago anuncia que acaba de ser publicado o despacho que lhe confere a Declaração de Utilidade Pública.
Segundo o despacho, num dos seus parágrafos, Tendo presente a notoriedade pública da Fundação, a importância fundamental do seu objectivo para um acréscimo da valorização cultural e literária do país, as parcerias que já estabeleceu, bem como o interesse e a expectativa de que o seu trabalho comece a produzir efeitos positivos a curto prazo no domínio da cultura portuguesa, por ser da maior relevância para a sociedade, justifica-se, nos termos legais, o reconhecimento da existência de circunstâncias excepcionais que configuram a dispensa do prazo de três anos de efectivo e relevante funcionamento.
O texto faz menção à actividade sustentada da Fundação nos âmbitos da promoção da leitura por todo o país, da recuperação emocional de nomes cimeiros da literatura portuguesa e universal, assim como das actividades de difusão da Declaração Universal dos Direitos Humanos em Portugal ou no estrangeiro, já que a Fundação José Saramago mantém convénios de colaboração com universidades ou outras fundações em Espanha e na América.
Enquanto se concluem as obras na que será a sede central da Fundação, na Casa dos Bicos em Lisboa, a sede provisória está situada na Avenida Gago Coutinho, n. 121, em Lisboa. Também em Azinhaga, terra natal do escritor, se encontra aberta ao público uma delegação da Fundação, com uma pequena mostra de objectos relacionados com a vida do escritor, entre eles a cama dos avós, e no piso térreo uma biblioteca-cibercafé que possibilita aos visitantes o prazer da leitura ou satisfaz a necessidade de se ligarem à Internet.
O despacho é assinado pelo Primeiro-Ministro, José Sócrates.
A Fundação congratula-se pela Declaração e assume estar pronta a corresponder aos desafios que se lhe colocam.